No ambiente de trabalho, especialmente em áreas industriais, de construção civil, logística e demais setores de risco, a segurança dos colaboradores é prioridade. Parte essencial dessa proteção está nos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), entre eles, os calçados de segurança. Para garantir que esses produtos atendam aos critérios técnicos exigidos por lei, existe a NBR 20345, norma da ABNT que regulamenta os requisitos para calçados de segurança no Brasil.
Neste artigo, você vai entender o que é essa norma, sua importância, como funciona a classificação dos calçados e como escolher o modelo certo para cada atividade.
O que é a NBR 20345?
A NBR 20345 é uma norma técnica brasileira da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) que estabelece os requisitos mínimos para calçados de segurança usados como Equipamento de Proteção Individual (EPI). Essa norma é baseada na ISO 20345, padrão internacional que unifica critérios de desempenho, conforto e proteção dos calçados utilizados em ambientes profissionais.
Ela define as exigências quanto à resistência ao impacto, compressão, escorregamento, absorção de energia, permeabilidade à água, entre outros critérios fundamentais para garantir a segurança dos usuários.
Qual a diferença entre calçado de segurança e outros tipos?
A norma classifica os calçados profissionais em três categorias principais:
- Calçado de segurança (SB, S1, S2, S3…): Possui biqueira de proteção contra impacto de no mínimo 200 Joules. Pode incluir outras proteções adicionais como resistência a óleo, sola antiestática e absorção de impacto no calcanhar.
- Calçado de proteção: Possui biqueira de proteção com resistência de até 100 Joules (norma NBR 20344).
- Calçado ocupacional: Não possui biqueira de aço ou composto, sendo indicado para funções com baixo risco.
A NBR 20345 trata especificamente dos calçados de segurança, que são obrigatórios em diversas funções por oferecerem proteção máxima para os pés.
Principais requisitos da NBR 20345
A norma estabelece uma série de critérios técnicos e testes rigorosos que os calçados devem cumprir para serem considerados adequados ao uso profissional. Alguns dos principais são:
- Biqueira com resistência de até 200 J: Para proteção contra quedas de objetos e choques frontais.
- Resistência à compressão: Capaz de suportar até 15 kN de força (cerca de 1.500 kg).
- Absorção de impacto no calcanhar: Para reduzir o risco de lesões por esforço repetitivo.
- Sola antiderrapante (SRC): Calçados devem passar por testes em superfícies lisas com água e detergente.
- Resistência a agentes químicos e óleos: Dependendo da classificação, o calçado deve resistir ao contato com óleo combustível e outros produtos.
- Permeabilidade e resistência à água: Importante para ambientes úmidos ou com risco de contaminação.
- Propriedades antiestáticas: Para áreas com risco de descarga eletrostática.
Classificação dos calçados segundo a NBR 20345
A norma utiliza códigos de letras e números para identificar os tipos de proteção que cada modelo oferece. Veja os principais:
- SB (Safety Basic): Biqueira resistente a 200J + absorção de energia no calcanhar.
- S1: SB + sola antiestática + resistência a óleo combustível.
- S1P: S1 + palmilha com resistência à perfuração.
- S2: S1 + resistência à penetração de água.
- S3: S2 + palmilha com resistência à perfuração + solado com ranhuras profundas.
- S4: Sem partes em tecido (como botas em PVC), resistente a óleo e com biqueira de 200J.
- S5: S4 + palmilha com resistência à perfuração + solado com ranhuras profundas.
Além desses, há outros símbolos adicionais:
- P: Palmilha resistente à perfuração
- E: Absorção de energia no calcanhar
- A: Propriedades antiestáticas
- WRU: Resistência à penetração e absorção de água no cabedal
- CI: Isolamento contra o frio
- HI: Isolamento contra o calor
- HRO: Solado resistente ao calor por contato
Como identificar um calçado certificado?
Para ter certeza de que o calçado atende à NBR 20345, ele deve possuir:
- Etiqueta com a numeração da norma (NBR 20345);
- CA (Certificado de Aprovação) válido do Ministério do Trabalho;
- Informações do fabricante e características técnicas impressas no produto;
- Data de validade e lote de fabricação.
A ausência de qualquer um desses itens pode indicar que o produto não está em conformidade com a legislação e não deve ser usado como EPI.
Como escolher o calçado de segurança ideal?
A escolha do calçado de segurança deve considerar o tipo de atividade, o ambiente de trabalho e os riscos aos quais o colaborador está exposto. Veja algumas dicas:
- Ambientes com risco de objetos cortantes ou perfurantes: prefira modelos com palmilha resistente à perfuração (P).
- Locais com risco de choque elétrico ou descarga eletrostática: escolha calçados com isolamento elétrico ou antiestáticos (A).
- Trabalho em câmaras frias ou locais abertos no inverno: opte por modelos com isolamento térmico (CI).
- Ambientes com óleo, graxa ou piso escorregadio: é essencial o solado antiderrapante (SRC).
- Trabalho com solda ou materiais incandescentes: invista em calçados com solado resistente ao calor (HRO) e proteção ao metatarso.
Importância de seguir a norma
O uso de calçados em conformidade com a NBR 20345 vai além de uma exigência legal. Ele contribui diretamente para:
- Redução de acidentes de trabalho;
- Melhoria nas condições ergonômicas;
- Conformidade com o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA);
- Evita multas e autuações do Ministério do Trabalho;
- Preserva a saúde e a vida dos trabalhadores.
Empresas que fornecem calçados inadequados ou sem certificação aos colaboradores estão descumprindo a NR-6, norma regulamentadora que trata dos EPIs, e podem ser responsabilizadas civil e criminalmente em caso de acidentes.
A NBR 20345 é a garantia de que o calçado de segurança realmente protege quem está na linha de frente de atividades de risco. Conhecer suas exigências e classificações ajuda tanto os empregadores a fazerem a escolha correta quanto os trabalhadores a entenderem seus direitos e deveres.
Ao adquirir um calçado de segurança, sempre verifique se ele segue essa norma e está com o CA válido. Investir em segurança nunca é um gasto — é uma forma de valorizar o trabalho e a vida.