Em ambientes de trabalho onde o risco de escorregões é constante — como cozinhas industriais, frigoríficos, postos de combustível, canteiros de obras e áreas com presença de óleos, graxas ou umidade — escolher a bota certa não é apenas uma questão de conforto ou estilo, mas de segurança. Um calçado inadequado pode causar acidentes graves, afastamento do trabalho e até processos legais para as empresas.
Por isso, na hora de comprar uma bota para ambientes escorregadios, é fundamental observar uma série de critérios técnicos e funcionais. A seguir, listamos os principais pontos que devem ser levados em consideração para garantir a melhor escolha.
1. Solado antiderrapante (ou antiderrapagem certificada)
Esse é o critério mais importante de todos. A principal causa de quedas em pisos escorregadios é a falta de aderência. O solado da bota precisa ser desenvolvido especificamente para proporcionar tração e estabilidade, mesmo quando o piso está molhado ou oleoso.
Dê preferência a botas com solado em borracha ou PU bidensidade com desenho antiderrapante. Existem normas técnicas (como a ABNT NBR ISO 20347) que determinam testes de resistência ao escorregamento, e botas aprovadas nesses testes geralmente indicam essa certificação na etiqueta ou na descrição do produto.
2. Resistência a agentes químicos e óleo
Não adianta ter uma bota com boa tração se o material da sola ou do cabedal (parte superior) não resistir ao ambiente onde será usada. Em áreas com presença de óleos, combustíveis, graxas ou produtos químicos, é indispensável que a bota seja resistente a esses agentes.
Botas com solado em poliuretano (PU) ou borracha costumam oferecer excelente resistência química. Alguns modelos também têm o cabedal em materiais impermeáveis ou com tratamento hidrofugado, o que evita a absorção de líquidos e aumenta a durabilidade.
Antes de comprar, verifique se o fabricante informa que o produto é resistente a óleo e combustíveis e quais testes foram realizados.
3. Impermeabilidade
Ambientes escorregadios geralmente também são úmidos, e por isso a impermeabilidade da bota é um fator chave. Ninguém quer trabalhar com o pé encharcado, não só pelo desconforto, mas também pelo risco de infecções e doenças.
Botas confeccionadas em PVC, couro impermeabilizado ou microfibra hidrofugada são boas opções. Além disso, costuras seladas e design sem muitos recortes ajudam a evitar a penetração de líquidos.
Modelos de cano médio ou alto também são recomendados para proteger não apenas os pés, mas parte da perna em ambientes com acúmulo de água ou lama.
4. Conforto e ergonomia
Segurança não precisa (nem deve) vir sem conforto. Uma bota desconfortável pode causar bolhas, dores nos pés, fadiga muscular e até problemas posturais — o que também compromete o desempenho do trabalhador e aumenta o risco de acidentes.
Verifique se a bota oferece:
- Palmilha anatômica e antibacteriana
- Boa absorção de impacto
- Sistema de ventilação ou forro respirável
- Peso leve (muito importante para quem passa o dia inteiro em pé)
O ideal é, no caso de compras online, conferir bem a tabela de medidas da marca.
5. Proteção adicional: biqueira e resistência à perfuração
Dependendo do ambiente, o risco pode não ser só escorregar. Trabalhar com ferramentas pesadas ou materiais cortantes exige que a bota também ofereça proteção contra impactos e perfurações.
A biqueira de aço ou composite (material leve e não metálico) é essencial para proteger os dedos dos pés. Já a entressola com lâmina de aço ou kevlar impede que objetos pontiagudos perfurem o calçado por baixo.
Se o ambiente é de risco misto (químico + mecânico), opte por um modelo de calçado de segurança com CA (Certificado de Aprovação) válido, fornecido pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
6. Durabilidade e custo-benefício
Um erro comum é escolher a bota mais barata pensando em economia. No entanto, calçados de má qualidade se desgastam rapidamente, perdem a aderência e precisam ser substituídos com mais frequência — o que, no fim das contas, sai mais caro.
Por isso, avalie o custo-benefício: uma bota que oferece boa durabilidade, resistência e segurança pode ter um valor inicial mais alto, mas compensa pelo tempo de uso e pela proteção.
Considere também a vida útil média indicada pelo fabricante, levando em conta a intensidade de uso e o tipo de ambiente.
7. Certificações e recomendações técnicas
Evite produtos genéricos sem procedência. Procure por calçados com Certificado de Aprovação (CA) emitido pelo Ministério do Trabalho, que garantem que o produto passou por testes rigorosos de segurança.
Você também pode consultar as normas internacionais seguidas pelo fabricante, como as já citadas ISO 20344, 20345 ou 20347, que definem requisitos mínimos de desempenho para calçados de segurança e proteção ocupacional.
Se possível, consulte também avaliações de outros usuários, especialmente aqueles que atuam na mesma área de trabalho que você.
Segurança começa pelos pés
Escolher a bota ideal para ambientes escorregadios vai muito além da aparência. É uma decisão técnica que envolve análise de materiais, certificações, resistência, conforto e segurança.
Investir em um bom calçado é investir em prevenção, saúde e produtividade. E quando se trata de ambientes com risco constante de escorregões, cada detalhe faz a diferença: do solado à biqueira, da impermeabilidade ao conforto.
Se você trabalha ou emprega pessoas em áreas de risco, não subestime o poder de um bom par de botas. Afinal, segurança nunca é demais — e começa pelo chão onde se pisa.