O ambiente de trabalho industrial apresenta desafios constantes para a integridade física do colaborador. Entre os riscos mais comuns (e muitas vezes subestimados) está o escorregamento.
Embora pareça um evento simples de desequilíbrio, a dinâmica por trás de uma queda envolve variáveis físicas complexas.
Entender como um solado interage com diferentes superfícies é vital para a escolha do Equipamento de Proteção Individual (EPI) adequado.
A mecânica do atrito nos calçados de segurança
O escorregamento ocorre quando a força de atrito entre o solado e o piso é insuficiente para resistir à força horizontal exercida pelo caminhar. É uma falha na aderência.
O coeficiente de atrito define essa relação. Quanto maior o índice, maior a resistência ao deslizamento. Esse valor depende dos materiais em contato e da presença de contaminantes.
Líquidos como óleo, graxa ou até água funcionam como lubrificantes. Eles criam uma camada que separa fisicamente o solado da superfície (um fenômeno similar à aquaplanagem em veículos).
O papel do design do solado
Um solado técnico não é desenhado por estética. Os canais de escoamento servem para drenar fluidos e permitir que a borracha ou o poliuretano toque o solo firmemente.
A área de contato precisa ser otimizada para distribuir o peso do trabalhador. Isso garante que a pressão exercida ajude na fixação mecânica temporária durante cada passo.
A dureza do material também influencia. Compostos mais macios tendem a oferecer maior aderência em superfícies lisas, mas podem apresentar desgaste acelerado em pisos abrasivos.

A padronização técnica de resistência (SRA, SRB e SRC)
Para garantir que um calçado seja confiável, ele passa por testes rigorosos baseados em normas internacionais e nacionais. Esses testes geram classificações específicas de segurança.
Essas siglas indicam em quais condições o solado foi testado e aprovado. É a linguagem técnica que o comprador de EPI e o técnico de segurança devem dominar.
SRA: Proteção em superfícies cerâmicas
A classificação SRA indica que o calçado foi testado em piso cerâmico lubrificado com uma solução de detergente (lauril sulfato de sódio). É o teste base de entrada.
Neste cenário, avalia-se a capacidade do calçado de manter a tração em ambientes onde a limpeza frequente ou o uso de produtos químicos de higienização é comum.
O foco aqui é o ambiente interno controlado. Cozinhas industriais, hospitais e laboratórios são locais onde a certificação SRA costuma ser o requisito mínimo exigido.
SRB: Resistência em superfícies de aço
O índice SRB eleva o nível de exigência técnica. O teste é realizado em uma superfície de aço inoxidável coberta com glicerina (um agente extremamente viscoso e escorregadio).
A glicerina simula óleos industriais pesados. Este teste é fundamental para trabalhadores da metalurgia, oficinas mecânicas e indústrias petroquímicas onde o óleo é onipresente.
Manter a estabilidade sobre o aço oleoso exige uma química de solado superior. A Estival desenvolve compostos que não perdem propriedades de fricção sob essas condições severas.
SRC: O nível máximo de segurança
A sigla SRC não representa um teste isolado. Ela indica que o calçado passou com sucesso tanto no teste SRA (cerâmica com detergente) quanto no teste SRB (aço com glicerina).
É a classificação mais abrangente do mercado. Ao adquirir um produto SRC, a empresa garante uma proteção versátil para múltiplos ambientes de risco elevado.
O calçado SRC oferece a confiabilidade necessária para operações logísticas que transitam entre pátios externos (com chuva) e áreas internas de produção (com resíduos industriais).
A física da biqueira e o equilíbrio
A biqueira de proteção (seja de aço ou composite) altera a distribuição de peso na parte frontal do pé. Isso impacta diretamente como o trabalhador inicia o movimento.
Um calçado mal projetado pode deslocar o centro de gravidade, facilitando o escorregamento durante a fase de impulsão. A ergonomia da Estival compensa esse peso adicional.
O ajuste firme do calçado (evitando que o pé “dance” internamente) é essencial. Se o pé se move dentro da bota, a resposta motora para corrigir um desequilíbrio é atrasada.
Durabilidade dos índices de proteção
Os índices SRA, SRB e SRC são validados com o calçado novo. No entanto, o desgaste natural do uso diário pode reduzir a eficácia dessas proteções ao longo do tempo.
A profundidade dos sulcos do solado deve ser monitorada. Quando o desenho atinge um nível de desgaste excessivo, a capacidade de drenagem de líquidos é comprometida drasticamente.
A Estival utiliza materiais de alta resistência à abrasão. Isso garante que as propriedades de atrito durem por mais tempo (mesmo em jornadas intensas de trabalho pesado).
Como escolher o índice correto para sua equipe
A escolha deve ser baseada na análise de risco do ambiente.
Se o ambiente possui pisos metálicos e presença constante de lubrificantes, o SRC é obrigatório. Para áreas administrativas ou estoques secos, o SRA pode ser suficiente.
Ignorar esses índices resulta em custos ocultos com afastamentos e acidentes. O calçado técnico é uma ferramenta de produtividade que mantém a operação em movimento.
A física do escorregamento é implacável. Sem o atrito correto, a gravidade e o movimento resultam inevitavelmente em incidentes que prejudicam a saúde e a operação.
A Estival mantém o compromisso de entregar essa robustez. O foco permanece na construção de calçados que traduzem normas técnicas em proteção real para quem trabalha.





