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Calçado de segurança para postos de combustíveis: normas, riscos e critérios de escolha

O trabalho na pista e nos boxes de serviços exige proteção contínua contra agentes químicos, pisos escorregadios e tráfego constante de veículos.

A escolha correta do Equipamento de Proteção Individual (EPI) previne afastamentos e garante o cumprimento das normas vigentes no setor.

Os riscos operacionais na rotina do frentista

A pista de abastecimento apresenta perigos específicos que exigem atenção rigorosa da equipe de segurança do trabalho.

O contato diário com hidrocarbonetos e solventes (gasolina, etanol, óleo diesel e lubrificantes) deteriora calçados comuns em poucas semanas.

Substâncias químicas atacam solados desprotegidos, causam ressecamento precoce e facilitam infiltrações nocivas aos pés do trabalhador. A presença constante de resíduos líquidos no chão cria superfícies de alto risco para quedas de mesmo nível.

Quedas e escorregões lideram os índices de incidentes registrados em postos urbanos e rodoviários. O fluxo constante de automóveis, utilitários e caminhões impõe ainda a probabilidade de atropelamentos e impactos pesados sobre os pés.

Exigências normativas para o setor

A atividade em postos de combustíveis é regida por parâmetros regulamentadores específicos da legislação trabalhista brasileira.

A Norma Regulamentadora 20 (NR-20) estabelece os requisitos mínimos para a gestão de segurança contra inflamáveis e combustíveis.

O texto determina o controle rigoroso de fontes de ignição e a blindagem contra agentes nocivos à saúde.

A Norma Regulamentadora 6 (NR-6) complementa a exigência, cobrando calçados adequados com Certificado de Aprovação (CA) válido emitido pelo Ministério do Trabalho.

Para o piso do posto, o calçado precisa atender ensaios de resistência ao escorregamento (SRC) e absorção de energia na área do salto. O uso de componentes metálicos aparentes deve ser evitado para impedir faíscas em atmosferas potencialmente explosivas.

Características técnicas indispensáveis no calçado

A especificação técnica de um calçado para posto precisa considerar a matéria-prima da sola, o cabedal e os reforços estruturais.

  • Solado bidensidade em poliuretano (PU) ou borracha nitrílica com canais de escoamento para rápida dispersão de líquidos;
  • Resistência comprovada ao contato com óleos, combustíveis e graxas (sigla FO nos testes laboratoriais);
  • Biqueira de composite ou plástico reforçado para proteger contra esmagamentos sem gerar faíscas acidentais;
  • Cabedal em microfibra de alta tecnologia ou couro tratado com repelência a líquidos e respingos químicos;
  • Palmilha interna anatômica com tratamento antibacteriano para controle de umidade durante jornadas extensas.

Composite vs biqueira de aço

A biqueira protetora é item obrigatório contra impactos frontais de ferramentas, tambores e rodas de veículos leves.

A biqueira de aço tradicional cumpre o teste mecânico, mas conduz calor e eletricidade com facilidade.

O composite (material composto de fibra de vidro ou carbono) atinge a mesma resistência mecânica sem conter partes metálicas.

Essa característica faz da biqueira de composite a escolha mais técnica e segura para áreas classificadas com vapores inflamáveis. A peça é mais leve, reduz o peso final do calçado e previne o cansaço muscular no final do turno.

A ausência de metal também impede a corrosão prematura causada pelo contato frequente com a água da lavagem de pistas.

Conforto ergonômico e produtividade

Frentistas, trocadores de óleo e lavadores passam jornadas completas em pé, caminhando constantemente sobre concreto duro.

O desconforto físico reduz a atenção do trabalhador, elevando a probabilidade de falhas operacionais graves durante o abastecimento.

Calçados pesados e rígidos provocam dores lombares, fascite plantar e fadiga muscular crônica nas pernas. A palmilha deve amortecer o impacto repetitivo do calcanhar com espessura adequada e memória elástica.

O forro interno precisa absorver a transpiração, mantendo os pés secos em dias de alta temperatura sobre o asfalto. Um calçado funcional distribui as pressões plantares de maneira uniforme ao longo de todo o expediente.

Durabilidade e custo-benefício para frotas de postos

Comprar o EPI pelo menor valor de aquisição costuma gerar custos operacionais elevados no médio prazo.

Modelos sem resistência química comprovada rasgam, descolam a sola e perdem a função protetora com rapidez. A troca frequente de pares sobrecarrega o setor de compras e gera descontentamento na equipe de campo.

O investimento em calçados de engenharia robusta prolonga a vida útil do produto mesmo sob agressão constante de derivados de petróleo.

A padronização simplifica a gestão do estoque de suprimentos e garante proteção jurídica perante fiscalizações trabalhistas.

O cálculo real deve considerar o custo por dia trabalhado, e não apenas o preço na nota fiscal de entrada.

Procedimentos de conservação e higienização

A vida útil do calçado depende diretamente de práticas simples de conservação orientadas pela equipe técnica da empresa.

  • O calçado deve ser limpo com pano úmido e sabão neutro para retirada de resíduos de óleo e graxa acumulados.
  • Solventes, querosene ou gasolina nunca devem ser utilizados na limpeza externa do produto, pois ressecam o material.
  • A secagem precisa ocorrer sempre à sombra, em local arejado, longe de motores quentes ou exposição direta ao sol forte.
  • A empresa deve orientar o rodízio de meias de algodão grossas para evitar atritos na pele e controlar o suor interno.

Inspeções periódicas no solado detectam o desgaste dos frisos antiderrapantes antes que ocorra um acidente real na pista.

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